29 janeiro 2013

TATOO TREND


A tatuagem (tattoo em inglês) é uma das formas de modificação do corpo mais conhecidas e cultuadas do mundo. Trata-se de um desenho permanente feito na pele, realizado com a inserção de tinta para mudar a pigmentação. O que não mudou quase nada, desde o seu surgimento a mais de 4 mil anos, foi a técnica para tatuar - ela ainda é feita por meio da aplicação subcutânea de pigmentos por agulhas, um procedimento que durante muitos séculos foi completamente irreversível.

PRIMEIRA PARTE DO DOCUMENTÁRIO “SEGREDOS DA TATUAGEM”



As motivações para a realização da tatuagem são inúmeras e não há uma forma definida ou percurso que explique o desejo e a sua efetivação. O contexto, o ambiente, a época, o nível cultural, as influências, modismos, ideologias, crença e espírito despojado são alguns dos níveis que podem dar vazão ao processo.


A tatuagem foi usada como ritos de passagem, marcas de status e hierarquia, símbolos de devoção religiosa e espiritual, decorações por bravura, iscas sexuais e marcas de fertilidade, promessas de amor, castigo, amuletos e talismãs, proteção, e como as marcas de párias, escravos e condenados. O simbolismo e impacto das tatuagens variam em diferentes locais e culturas.

SEGUNDA PARTE DO DOCUMENTÁRIO “SEGREDOS DA TATUAGEM”



Os temas são infinitos e variam tanto quanto a personalidade dos tatuadores e tatuados. Nenhuma teoria psicológica, psicanalítica, religiosa, antropológica ou médica apresenta uma explicação exclusiva e final para a tatuagem, considerada uma prática cultural complexa desde sua origem. Portanto considera-se um movimento do ‘ser simbólico-social’, que supera o instinto de autopreservação, uma característica absolutamente humana.


A palavra "tattoo" foi cunhada e trazida para a Europa pelo explorador James Cook (também descobridor do surf), quando ele retornou de sua primeira viagem ao Tahiti e Nova Zelândia. Foi a bordo do seu navio – o ‘HMS Endeavour’, em Julho de 1769, que Cook anotou pela primeira vez as suas observações sobre a modificação do corpo indígena e é o primeiro registro do uso da palavra tatuagem: "Ambos os sexos pintam seu corpo, Tatuagem, como é chamado em sua língua. Isso é feito inserindo a cor negra sob suas peles, de tal forma que seja indelével".


Retrato do Capitão James Cook por Sir Nathaniel Dance-Holland, 1775

Posteriormente os homens de Cook tanto introduziram a palavra, quanto reintroduziram o conceito de tatuagem na Europa. Mais tarde, com a circulação dos marinheiros ingleses a tatuagem entrou em contato com diversas civilizações pelo mundo novamente.

HISTÓRIA

A tatuagem tem sido uma prática eurasiana, pelo menos desde o período Neolítico. A múmia "Ötzi the Iceman" (encontrada no vale Ötz, nos Alpes), datada de cerca de 3300 anos antes de Cristo, possuía 57 tatuagens distintas: uma cruz no interior do joelho esquerdo, seis linhas retas com 15 centímetros de comprimento acima dos rins e numerosas linhas paralelas pequenas ao longo das lombares, pernas e tornozelos. Essas tatuagens foram consideradas uma forma de cura por causa de sua localização, que se assemelha à acupuntura - possivelmente tatuagens terapêuticas para o tratamento de artrite.


Representação de uma figura tatuada, em argila, do período neolítico – supostamente da cultura pré-cucuteni (4900-4759 a.C), descoberta na Romenia

Em Tarim Basin (hoje Xinjiang, no oeste da China) foram encontradas várias múmias tatuadas de um tipo fisico ocidental (Ásia ocidental / Europa). Ainda relativamente desconhecidas (a única publicação atual em língua ocidental é “As Múmias de Tarim” de J P. Mallory e V H. Mair, Londres, 2000), algumas delas poderiam datar do final do segundo milênio antes de Cristo. Outra múmia tatuada descoberta, datada deste período, foi a ‘Múmia de Amunet’ do Egito antigo.


Múmia de uma princesa Ukok

Uma múmia tatuada (c. 300 antes de Cristo) foi retirada do estado de congelamento (permafrost) em Altaï, na segunda metade do século 15. Ainda, durante a década de 1940 foi encontrada a múmia ‘Homem de Pazyryk’, e durante a década de 1990 mais duas múmias, uma feminina e outra masculina foram removidas do planalto de Ukok da Sibéria, na Rússia. Suas tatuagens envolviam desenhos de animais realizados num estilo curvilíneo.


Tatuagem no braço direito da múmia de um chefe Scythian (com mais de 2.500 anos), encontrada em Pazyryk, na Russia

O Homem de Pazyryk, um chefe dos Scythian (um povo nomade iraniano), era tatuado com uma extensa e detalhada gama de peixes, monstros e uma série de pontos que se alinhavam ao longo da coluna vertebral (região lombar) e ao redor do tornozelo direito (ilustrado à direita).

MUNDO ANTIGO

Na China antiga as tatuagens eram associadas à criminosos e bandidos, desde a Dinastia Zhou (1045 aC a 256 aC), e foi praticada até a última dinastia, a Dinastia Qing (1644 a 1912). No entanto, referências às tatuagens podem ser encontradas na cultura popular, em um dos Quatro Grandes Romances Clássicos da literatura chinesa, ‘Water Margin’ (margem da água), onde pelo menos três dos personagens principais, Lu Zhishen, Shi Jin e Yan Ching, são descritos como tendo tatuagens cobrindo quase todos os seus corpos.


Tatuagem pe'a de Samoa

Em Samoa, a tradição da tatuagem tem sido ininterrupta por mais de dois mil anos.
A tatuagem tradicional masculina, chamada "pe'a", é uma provação sofrida e costumava ser um pré-requisito necessário para receber um título matai de chefe (ali'i) ou chefe falante (tulafale). Já a tatuagem tradicional feminina, chamada “Malu”, não possui as grandes áreas cobertas do "pe'a" - não era tão ritualizada quanto a dos homens.
As cerimônias de tatuagem celebravam a resistência e dedicação às tradições culturais. Recuar da tatuagem era arriscar ser rotulado de "pala'ai" ou covarde.


Tatuagem Moko de um chefe Maori, 1784

As tatuagens ‘Moko’, usadas pelos Māori (povo nativo da Nova Zelândia), eram desenhos faciais usados por homens e mulheres para indicar sua linhagem, posição social e status dentro da tribo - era uma marca de identidade sagrada e considerada um veículo para o armazenamento do ‘Tapu’ (um conceito tradicional polinésio que denota algo santo ou sagrado, que envolve regras e proibições), na vida após a morte.
No período inicial do contato entre os Maori e os europeus, seu povo foi caçados por suas tatuagens ‘Moko’ e decapitados para fornecer ‘souvenirs’ (lembranças) ao Novo Mundo.


Nas Ilhas Filipinas alguns grupos tribais acreditam que as tatuagens têm qualidades mágicas e ajudam a proteger os seus portadores. Sua tradição está relacionada com as realizações do portador, na vida ou posição na tribo.
Os mais famosos povos indígenas tatuados nas Filipinas ocupavam uma área ao norte de Luzon, especialmente entre os grupos Bontoc Igorot, Kalinga, e os povos Ifugao.
A tatuagem filipina foi a primeira a ser documentada pelos exploradores eupopeus espanhóis, quando eles desembarcaram entre as ilhas no final do século 16.


Na Indonésia, várias tribos possuem a cultura de tatuagem, como o povo Dayak de Kalimantan em Bornéu. A Tatuagem tradicional de Bornéu utiliza duas varas para tatuar - uma mantida sobre a pele para inserir a tinta e outra para bater na primeira, como um tipo de martelo. O estiramento da pele (diferente em cada parte do corpo) é muito importante no processo - quando é feito corretamente reduz o tempo de realização da tatuagem.
O estilo mais comum dos desenhos de Bornéu é o tribal, realizado em traços pretos e grossos, com diferentes significados. A natureza é o foco principal na concepção da tatuagem tradicional de Bornéu, como folhas, animais, frutas, árvores e galhos.


Tatuagem Yantra

No Camboja, Laos e Tailândia, a tatuagem ‘Yantra’ é usada para proteção contra o mal e para aumentar a sorte.
Em Taiwan, as tatuagens faciais da tribo Atayal são chamadas de "Badasun", e são utilizados para demonstrar que um homem adulto pode proteger a sua terra natal, e que uma mulher adulta é qualificada para tecer e executar tarefas domésticas.

NO JAPÃO

A tatuagem no Japão remonta pelo menos ao período Jomon ou Paleolítico (cerca de 10.000 a.C). Tinha fins espirituais e decorativos, e foi comum tanto para os japoneses, quanto para o povo Ainu - um povo indígena do Japão e da Rússia – que tradicionalmente tatuavam a face.


Mecânico tatuado, 1870

Entre 1603 e 1868 a tatuagem japonesa só era praticada pelos grupos "ukiyo-e" (A cultura do mundo flutuante) - geralmente bombeiros, operários e prostitutas - que usavam tatuagens para comunicar o seu status. Entre 1720 e 1870 os criminosos eram tatuados como uma marca visível de punição. Mais tarde esta prática foi abolida pelo governo "Meji", que a considerou bárbara e desprovida de respeitabilidade.


Yakuza - 7 trajes tatuados pelo pelo artista Horiyoshi Iii

Posteriormente, foi criada uma subcultura de criminosos e marginais (muitos eram Samurais) que não podiam se integrar na sociedade por causa de suas tatuagens óbvias, e que ingressaram na Yakuza (máfia japonesa moderna), para o qual as tatuagens no Japão se tornaram quase sinônimo.

NA EUROPA

Germânicos pré-cristãos, Celtas e outras tribos centrais e do norte da Europa eram frequentemente tatuados, de acordo com o relato de sobreviventes.
Os ‘Picts’ (um antigo povo Celta do final de Idade do Ferro e do início da era medieval que habitava o norte da Grã-Bretanha) eram famosos por serem tatuados (ou escarificados) com desenhos muito elaborados, inspirados na guerra e realizados em tons pastéis de preto ou azul escuro (possivelmente utilizando o cobre para o tom de azul).


Representação de um Pict em um livro de história do século 19

Júlio César descreveu estas tatuagens no Livro V de suas Guerras na Gália, por volta do ano 54 antes de Cristo.
Na verdade, a ilha da Grã-Bretanha tem este nome por causa da tatuagem; a tradução de ‘Britons’ é "povo do desenho", e ‘Picts’ significa, literalmente, "o povo pintado".

TATUAGEM MODERNA

A tatuagem moderna no mundo ocidental tem suas origens com as expedições marítimas ocorridas entre os séculos 16 e 18, que promoveram o contato entre os exploradores e as tribos polinésias, assim como com grupos tribais na África, Indochina, Europa, Japão e Américas. Como muitas tatuagens foram estimuladas por exemplos polinésios e japoneses, esta prática tornou-se especialmente popular entre os marinheiros europeus, que retornavam das viagens com tatuagens inscritas em seus corpos.


Com a reintrodução da tatuagem na Europa, pelos homens do mar e marinheiros, elas começaram a figurar no mainstream Europeu e, eventualmente, da América do Norte. Neste processo, a prática da tatuagem se espalhou rapidamente pelos portos marítimos ao redor do mundo e os tatuadores amadores eram amplamente demandados nas cidades portuárias, principalmente por marinheiros europeus e americanos.


O primeiro tatuador profissional documentado nos EUA foi Martin Hildebrandt, um imigrante alemão que chegou a Boston, Massachusetts, em 1846. Entre 1861 e 1865, ele tatuou soldados em ambos os lados da Guerra Civil Americana. Na Grã-Bretanha o primeiro tatuador profissional foi documentado em Liverpool em 1870.

CABEÇAS COROADAS

Por volta de 1870, a tatuagem se tornou uma marca de riqueza para as cabeças coroadas e se espalhou pelas classes superiores em toda a Europa, mais particularmente na Grã-Bretanha, onde a Revista Harmsworth estimou, em 1898, que mais de um em cada cinco membros da nobreza eram tatuados.


Não era incomum para os membros da elite, se reunir nas salas e bibliotecas de residências do Estado, depois do jantar, e se despir parcialmente para exibir suas tatuagens. Porém o Governo da Inglaterra adotou a tatuagem como uma forma de identificação de presidiários, em 1879, conferindo uma conotação criminosa à tatuagem no Ocidente.


Retrato de Omai por Joshua-Reynolds, 1776

Entre 1766 e 1779, o capitão James Cook fez três viagens ao Pacífico Sul, e quando voltou para a Europa de sua viagem à Polinésia, trouxe com ele um homem tatuado da sociedade Raiatea (na polinésia francesa – Taiti), chamado Omai, a quem apresentou ao rei George e à Corte Inglêsa. A corte real britânica deve ter ficado fascinada com as tatuagens de Omai, porque o próprio futuro rei George V foi tatuado com a ‘Cruz de Jerusalém’, quando viajou para o Oriente Médio em 1892. Durante uma visita ao Japão, ele também recebeu um dragão no antebraço das agulhas de Hori Chiyo, um mestre da tatuagem. Os filhos de George, os duques de Clarence e York também foram tatuados no Japão, enquanto serviam ao Almirantado Britânico, solidificando o que se tornaria uma tradição familiar.


Rei George V (direita) e seu primo Czar Nicolau II

Levando em conta a cúpula da liderança européia, desde a Corte Britânica, onde Edward VII seguiu George V e também se tatuou. Os Reis Frederick IX da Dinamarca, Kaiser Wilhelm II da Romênia, Alexander da Iugoslávia e até mesmo o Czar Nicolau II da Rússia, todos ostentavam tatuagens - muitas delas elaboradas e ornamentadas com as interpretações do Brasão Real de Armas ou o Brasão da Família Real. O Rei Alfonso XIII da Espanha moderna também possuía uma tatuagem.


Rei Frederick IX da Dinamarca

Além de seu consorte, o príncipe Albert, há rumores persistentes de que a Rainha Victoria tinha uma pequena tatuagem em um local "íntimo", não revelado; o Rei Frederick de Dinamarca foi filmado mostrando suas tatuagens como um marinheiro.
Lady Randolph Churchill, mãe de Winston Churchill, tinha uma cobra tatuada em volta do pulso, que ela cobria com um bracelete de diamantes - especialmente criado - quando havia necessidade. Continuando a tradição da família, Winston Churchill tinha uma âncora tatuada no antebraço.


Em 1891, Samuel O'Reilly desenvolveu um aparelho elétrico para a realização de tatuagens, baseado em outro aparelho extremamente parecido que havia sido criado e patenteado por Thomas Edison.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a tatuagem foi muito utilizada por soldados e marinheiros, que gravavam o nome da pessoa amada em seus corpos.

ASSOCIAÇÕES

Perseguida em vários momentos da história, a prática da tatuagem foi banida por decreto papal no século 8 e na Nova York do século 20. No Japão, com a restauração e as reformas da era Meiji em 1868, as tatuagens foram proibidas durante 70 anos, antes de serem revogadas em 1948. Ao mesmo tempo, durante o período de proibição, surgiu uma subcultura de criminosos e marginais (muitos eram Samurais) que não podiam se integrar na sociedade por causa de suas tatuagens óbvias, e se viram forçados a aproveitar a oportunidade de ingressar na máfia japonesa moderna - a Yakuza – para a qual a tatuagem era aceita e valorizada no Japão.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - MORTE DA YAKUZA



Atualmente, desde o dia 6 de junho de 2012, todas as novas tatuagens são proibidas para os funcionários da cidade de Osaka, que são obrigados a cobrir suas tatuagens com roupa. Isso foi feito por causa da forte ligação das tatuagens com o crime organizado japonês - Yakuza, depois que um funcionário de Osaka ameaçou um aluno mostrando sua tatuagem em fevereiro de 2012.


Na Europa e América do Norte, o entendimento cultural das tatuagens tem sido influenciado por antigos estereótipos baseados em grupos sociais desviantes dos séculos XIX e XX. Particularmente, na América do Norte, as tatuagens têm sido associadas com os estereótipos, folclore e racismo.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - VEÍCULO DA MORTE



Até os anos 1960 e 1970 as pessoas não associavam as tatuagens com grupos como os de motociclistas e prisioneiros. Hoje, nos Estados Unidos, muitos prisioneiros e grupos criminosos usam tatuagens distintas para indicar fatos sobre o seu comportamento criminal, sentenças de prisão, e afiliação organizacional.


Um estudo realizado em 2004, entre 500 adultos com idade entre 18 e 50 anos, mostrou uma ligação explícita entre tatuagem e criminalidade. 72 por cento dos inquiridos com tatuagens no rosto, pescoço, mãos, ou dedos, passaram mais de três dias na prisão, contra 6 por cento da população não-tatuada.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - GAIOLA DO DIABO



Ao mesmo tempo, os membros do exército dos EUA tem uma história igualmente bem-estabelecida e de longa data, com tatuagens que indicam as unidades militares, batalhas, mortes, etc, uma associação que continua a se generalizar entre os americanos mais velhos. Tatuagem também é comum nas Forças Armadas britânicas.


Presos na Sibéria e campos de concentração nazistas eram tatuados com um número de identificação. Hoje, muitos presos ainda se tatuam como uma indicação de tempo passado na prisão. Os nativos americanos – índios - também usam tatuagens para representar suas tribos.

DOCUMENTÁRIO: CORPOS MARCADOS - MALDADE PURA



Na medida em que este uso cultural ou subcultural de tatuagens antecede a sua popularidade na população em geral, elas ainda são associadas com a criminalidade. Embora a aceitação de tatuagens esteja em ascensão na sociedade ocidental, elas ainda carreguam um estigma pesado entre determinados grupos sociais. Tatuagens são geralmente consideradas uma parte importante da cultura na máfia russa.


A prevalência de mulheres na indústria da tatuagem, junto com o aumento no número de mulheres usuárias de tatuagens, parece estar mudando as percepções negativas. Um estudo conhecido por "at-risk" - em risco (definido pela ausência e evasão escolar), as adolescentes mostraram uma correlação positiva entre a modificação do corpo e os sentimentos negativos para o corpo e baixa auto-estima, no entanto, o estudo também mostrou que um forte motivo para a modificação do corpo é a busca por " tentativas para alcançar o auto-domínio e o controle sobre o corpo em uma época de crescente alienação."

NO BRASIL

No Brasil a tatuagem é uma arte recente, surgiu em meados dos anos 60 na cidade portuária de Santos e foi introduzida pelo dinamarquês Knud Harld Likke Gregersen (também conhecido como Lucky Tattoo), que teve sua loja nas proximidades do cais, uma zona de boemia e prostituição da cidade de Santos na época. A localização contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação da atividade, gerando um estigma de arte marginal que perdurou por décadas.


Knud Harld Likke Gregersen

Hoje em dia, graças a circulação de informação pela televisão e por meios de comunicação como a internet, a tatuagem vem atingindo todas as camadas das populações brasileiras sem distinções.

GLAMOURIZAÇÃO

Desde os anos 1990, as tatuagens se tornaram uma tendência importante para a moda global e ocidental, comum entre ambos os sexos, de todas as classes econômicas e etárias.


Para muitos jovens, a tatuagem assumiu um significado decididamente diferente do que era para as gerações anteriores. A tatuagem tem sofrido uma redefinição dramática, e se deslocou da condição de uma forma de desvio para a condição de uma forma aceitável de expressão.

VIDEO: HELL CITY SCRATCH ART EXPO



Hoje, as pessoas escolhem ser tatuadas por razões artísticas, cosméticas, emocionais, religiosa e mágica, e para simbolizar o seu pertencimento ou identificação com grupos, incluindo organizações criminosas, grupos étnicos ou subculturas estabelecidas.


Durante a primeira década do século 21, a presença das tatuagens na cultura pop tornou-se mais evidente, inspirando programas de TV como ‘Inked’, ‘Miami Ink’ e ‘LA Ink’. Em 2010, 25% dos australianos com idade inferior a 30 anos tinha tatuagens.


As tatuagens da cantora de blues Janis Joplin - uma pulseira e um pequeno coração em seu peito esquerdo – realizadas pelo tatuador de San Francisco Lyle Tuttle, tem sido consideradas um momento fundamental na aceitação popular de tatuagens como arte.


O crescimento da cultura da tatuagem tem incentivado a formação de novos artistas na sua indústria, muitos dos quais com boa técnica e treinamento nas artes visuais. Ao mesmo tempo, o avanço na qualidade de pigmentos e o refinamento contínuo dos equipamentos utilizados, levaram a uma melhoria na qualidade de tatuagens que estão sendo produzidas.

DOCUMENTÁRIO: TATUAGENS - COMO FUNCIONA



O interesse formal na tatuagem como expressão artística, também cresceu de forma mais acentuada na década de 1990. Entusiastas têm se referido à ela como "arte da pele" ou "arte da tatuagem", e para os criadores como "artistas da tatuagem", e para o local de trabalho como "estúdios de tatuagem".


A utilização destes termos tem encontrado um apoio maior nas galerias de arte tradicionais, com a realização de exposições de desenhos para tatuagens, que buscam transformar a visão estereotipada das tatuagens e desafia os mitos sobre a razão das pessoas possuirem tatuagem.

VIDEO: CANVAS L.A. SCRATCH ART EVENT



Exposições de arte contemporânea e instituições de arte visuais têm caracterizado as tatuagens como arte através de exibições de ‘flash tattoo’, examinando as obras de artistas da tatuagem, ou incorporando exemplos de arte corporal em exposições tradicionais.


Os designs autorais da tatuagem produzem desenhos em massa e os enviam para tatuadores conhecidos como "flash", uma instância notável do design industrial. O mostruário com os desenhos (geralmente cartazes) são afixados em muitos estúdios de tatuagem para fornecer inspiração e imagens prontas aos clientes.

TATOO TREND

O vídeo Tattoo Trend, elaborado pela UNIT34 e produzido pela Yodeley, introduz uma das mais importantes mudanças sociais em curso. Partindo da observação do surpreendente crescimento do uso de tatuagens por indivíduos de todos os grupos socio-demográficos, chega-se à importantes conclusões sobre sua relação com as autoridades institucionais e o desenvolvimento pessoal.


O estudo - realizado pelo especialista em Decisões Estratégicas Flavio Ferrari, antigo CEO do Ibobe Media - é baseado em entrevistas com jovens e adultos tatuados, psicólogos e profissionais especializados em comportamento humano, e identifica os elementos fundamentais e as linhas de força que caracterizam a tendência.
A pesquisa revela que tatuagem é símbolo de auto-estima e influencia no espírito empreendedor.

VIDEO: TATTOO TREND




15 janeiro 2013

EUGEN SANDOW, O CRIADOR DO FISICULTURISMO


Eugen Sandow é o criador do esporte do fisiculturismo e considerado o pai da musculação moderna - um dos primeiros atletas a desenvolver intencionalmente sua musculatura à pré-determinadas dimensões. Por 30 anos foi considerado um ídolo e dono do melhor físico do mundo.
Ele nasceu em 2 de abril de 1867, na antiga cidade alemã de Königsberg, na Prússia Oriental - hoje Kaliningrado, na Rússia. Seu verdadeiro nome era Friederich Wilhelm Müller, filho de pai alemão (um verdureiro humilde) e mãe russa.


Após vários atritos com a sua família e para evitar o serviço militar, em 1885 ele deixou sua cidade natal com um circo que estava de passagem e se tornou um acrobata. Sua intenção era a de correr o mundo enquanto adquiria a base para o seu desenvolvimento muscular - a ginástica e as acrobacias endureceram e definiram os seus músculos a um grau notável. Mais tarde, escolheu rebatizar-se "Eugen Sandow" porque os artistas de palco tradicionalmente mudavam seus nomes e para encobrir seus rastros do projeto prussiano.

LOUIS ATTILA

A carreira acrobática de Sandow poderia ter continuado indefinidamente, mas o circo para o qual ele trabalhou faliu em Bruxelas. No entanto, este momento acabou por ser uma grande oportunidade.


Louis Attila

Na capital belga vivia Louis Attila, um dos primeiros instrutores profissionais de fisiculturismo, que viu em Sandow as características de um grande atleta. Átila levou Sandow como aluno, o ensinou a treinar com pesos e a posar, trabalhando o seu corpo. Após um breve período de treinamento, os dois passaram a fazer exibições em várias cidades com demonstrações de força e ganhando a vida com os escassos recursos dos salões de segunda categoria.


Por volta de 1889 Sandow e Attila haviam se separado, embora ocasionalmente mantevessem contato por carta. Attila se estabeleceu em Londres, e seu protegido vagou pela a Europa, até terminar em Veneza.
Enquanto isso, dois profissionais da força conhecidos por Sampson e Ciclope se apresentavam em Londres. Nenhum deles era particularmente forte, mas o líder da dupla, Sampson, provocou o público com um desafio, onde ele oferecia um prêmio de 500 Libras Esterlinas para quem pudesse igualar as proezas de força dele e de seu parceiro.
Ao perceber que o desafio era pura bravata, o Attila sentiu que ele e Sandow poderiam ganhar o dinheiro.


Sampson

Sandow viajou para Londres e, mais uma vez colocou-se sob a direção de Attila. Algumas noites depois, ele subiu ao palco após o desafio de Sampson e o superou em seu próprio jogo.
O interesse e entusiasmo que Sandow gerou com esta aventura foi o impulso que ele precisava para se lançar como uma estrela do atletismo, e a partir daí começaram os convites para exibições, por toda Inglaterra. O atleta passou os quatro anos seguintes se apresentando para o público, exibindo sua força e fazendo poses. Ao final desse tempo, ele havia refinado sua apresentação a um ponto ideal. Sandow sabia o que o público queria e como dar isto a eles.


Em 1893 Sandow chamou a atenção do empresário americano Maurice Grau, que o convidou a tentar a sorte em New York. Ele aceitou a oferta, mas sua recepção na America foi menor do que ele esperava. Sandow se viu prensado entre deprimentes esboços burlescos. Até mesmo o clima conspirava contra ele, era quente e abafado, o que não incentiva as pessoas a entrar em um teatro. Então Sandow trabalhou duro, ansioso para voltar à Europa. Mas o destino tinha algo reservado para ele...

FLORENZ ZIEGFELD

Sentado no teatro, em mais uma noite abafada, um homem jovem e perspicaz percebeu rapidamente, que as poucas mulheres na platéia se sentaram de repente, logo que avistaram Sandow e olharam para ele com admiração. O homem era Florenz Ziegfeld, e ele estava destinado a catapultar Sandow para o reino de estrelato.
Como Attila havia feito, Ziegfeld - um indivíduo energético, de alta potência - assumiu o atleta e o guiou na direção certa. Uma das primeiras coisas que fez foi tirá-lo de Nova York.


Florenz Ziegfeld

Em 1893, a “World's Columbian Exhibition” - uma Feira Mundial largamente anunciada - foi programada para abrir em Chicago. Ziegfeld decidiu que este seria o lugar onde Sandow iria deixar a sua marca. Mas Maurice Grau, que tinha Sandow sob um contrato, queria US $ 1.000 por semana pelo passe. Ziegfeld não poderia garantir tanto, mas concordou em pagar 10 por cento da receita bruta.
A Exposição era situada em uma enorme área de frente para o Lago Michigan, e no seu entorno haviam vários teatros improvisados, um deles era o Trocadero. Foi alí que Sandow se apresentou como atração principal em um programa misto de vaudevilles.


O público estava acostumado a ver homens fortes e pesados, que realizavam truques de força questionáveis, sem brilho e sem talento. Então, foi uma grande revelação quando Sandow (sob uma preparação cuidadosa Ziegfeld) ficou diante de um público ofegante em sua noite de abertura. Em vez de uma montanha de carne envolta em metros de pele de leopardo, surgiu um homem jovem, de musculatura bem-formada, em um traje muito reduzido.


Ziegfeld já havia percebido que o público estava mais fascinado pela saliência dos músculos do atleta do que pela quantidade de peso que ele levantava, então teve a idéia de Sandow executar poses que ele apelidou de "performances de exibição muscular", e a adicionou à exibição de força com halteres. Ziegfeld ainda acrescentou a quebra de uma corrente ao redor do tórax e outras performances para a rotina de Sandow, que logo se tornou a primeira estrela da apresentação.


Até o momento do encerramento da Exposição, Sandow foi um sucesso inegável – especialmente com as mulheres. Ele tinha feito um nome para si mesmo e uma pilha de dinheiro para Ziegfeld. Com isto, a dupla embarcou em uma extensa turnê pela América do Norte. Sandow agora tinha sua própria companhia - a Vaudevilles Trocadero - e junto com seus integrantes, viajou por todo o continente: San Francisco, Los Angeles, St. Louis, Omaha, Philadelphia, Toronto, cada cidade que tivesse um teatro de variedades que se preze.


Em São Francisco Sandow lutou com um leão e realizou um show de strip só para senhoras (ambos relatados na imprensa). Em outras cidades ele destruiu cadeiras, deformou colheres, ou quebrou louça de restaurante para provar sua aptidão física.


Em 1894, Sandow apareceu em um filme curto, realizado pelos Estúdios Edison, que foi parte da exposição da primeira imagem comercial em movimento na história. O filme foi de apenas uma parte do show e o apresentou flexionando os músculos em vez dos atos de força física. Embora o conteúdo do filme reflita a preferência do público, focando principalmente a sua aparência, sua realização fez uso das capacidades únicas da nova mídia - uma imagem detalhada se movendo em sincronia.



Enquanto estava em turnê pela América, Sandow reservou um breve tempo de sua agenda lotada, a fim de voltar para a Inglaterra e se casar com uma bela moça de Manchester, Blanche Brookes. Depois disso, as atuações constantes começaram a cobrar seu preço. Sandow se manteve infalível a um cronograma pesado por três anos e então sua saúde cedeu - ele sofreu um colapso nervoso. Foi para a sua mulher e sua casa que Sandow retornou, a fim de se recuperar.

OS INSTITUTOS DE CULTURA FÍSICA

Felizmente, a constituição física de Sandow era tal que ele se restabeleceu num curto espaço de tempo. Sem se intimidar com suas enfermidades, Sandow estava pronto para começar aquilo que ele considerou seu trabalho ‘real’: a reforma do exercício e hábitos alimentares do mundo. Era um esquema monumental.


Em 1897, ele abriu o primeiro de seus ‘Institutos de Cultura Física’, projetados para ensinar os segredos do seu vigor e a prática da musculação para quem quizesse aprender. Esses ginásios foram imediatamente bem sucedidos e mudaram a forma como o público passou a encarar a saúde e a aptidão física. Finalmente, surgia um lugar dedicado ao fisiculturismo, onde pessoas comuns podiam trabalhar e melhorar seus corpos.


Logo em seguida Sandow abriu outros ginásios por todo o reino. Parecia que o mundo, finalmente, estava despertando para os benefícios do exercício regular. Quando as pessoas viam os resultados em alunos do instituto, corriam para a academia. Em pouco tempo havia uma mania de fitness em pleno andamento. Ele foi, de fato, o fundador do fitness que logo se espalhou pelo mundo.


A fim de ganhar mais público, em 1898 Sandow fundou um periódico mensal, chamado ”Sandow's Magazine of Physical Culture”, para compartilhar seus pontos de vista e dicas de exercício. A revista foi um enorme sucesso e incentivou o surgimento outras publicações.
Sandow também publicava livros que mostravam os resultados obtidos com seus ensinamentos da cultura física. Em “Sandow's System of Physical Training”, de 1894 e “Strength and How to Obtain It”, de 1897, Sandow estabeleceu prescrições específicas de pesos e repetições, a fim de alcançar as proporções ideais. Em 1904 veio o trabalho que deu seu nome a um esporte completo, “Bodybuilding” (Musculação).


Não satisfeito em apenas escrever sobre os benefícios de uma boa saúde, Sandow também trabalhou duro para melhorar o equipamento de exercícios que era usado na época. Ele inventou ou aperfeiçoou muitos dispositivos para construir músculos e resistência.


A aparelhagem de musculação para ser fixado na parede, constituídos de fios de borracha com alças de metal, foi o seu primeiro sucesso. A adaptabilidade desta aparelhagem levou a prática do fitness para dentro de casa, tornando os exercícios diários possíveis para todos.
Em seguida Sandow desenvolveu o “spring-grip dumbbells” – um dispositivo no formato de halteres de mão, mas cortado lateralmente em duas partes. Entre as metades eram colocadas uma série de molas de aço para que o atleta pudesse pressionar as partes e exercitar o bíceps.


Exibindo uma energia ilimitada, Sandow não tinha medo de iniciar novos empreendimentos. No início de 1899 anunciou que estava instituindo cursos por correspondência para o desenvolvimento físico. Estes cursos trouxeram ainda mais adeptos para a causa da saúde e fitness, superando até mesmo os seus estúdios de cultura física, e tornando-se o protótipo de muitas empresas de fisiculturismo por correspondência, que se multiplicaram desde então.

"THE GREAT COMPETITION"

Talvez, a coroação do trabalho Sandow na cultura física tenha ocorrido em 1901, em Londres, quando ele organizou a primeira competição mundial de fisiculturismo, dando início oficial ao esporte. Esta competição, intitulada "The Great Competition", foi idealizada e realizada por Sandow com o objetivo de escolher o físico mais fabuloso.
O evento aconteceu no Royal Albert Hall de Londres em 14 de setembro de 1901 e o interesse foi tão grande que milhares de pessoas se amontoaram na porta de entrada, sendo registrada a presença de 15.000 pessoas nas finais.


O evento levou três anos para ser planejado e contou com a participação de 156 atletas. Competiam militares, carteiros, auxiliares de trabalhos braçais e atletas diversos. A competição foi anunciada em julho de 1898, na primeira edição da Sandow's Magazine.
Os critérios de julgamento foram estabelecidos por Sandow e eram os seguintes: desenvolvimento muscular geral; equilíbrio de desenvolvimento; condição de tonacidade e solidez dos tecidos; saúde geral; e condição da pele.
O traje da competição era composto por botas pretas, cinto preto e uma roupa com pele de leopardo.


Doze finalistas foram colocados em pedestais para realizarem sequências de poses e serem julgados pelos árbitros. O vencedor foi Willian Murray de Nottingham, que mais tarde se tornou ator, cantor e músico. Em segundo lugar ficou D.Cooper de Birmingham e em terceiro, A.C.Smyth de Middlesex. Os jurados foram Charles Lawes, um notável escultor da época, Arthur Conan Doyle, o famoso criador de Sherlock Holmes e o próprio Eugene Sandow, que ficou como mediador para somente dar sua posição em questões de empate.


O troféu para este campeonato era uma pequena escultura de Eugene Sandow, banhada em ouro, segurando uma barra com pesos de bola, a mesma que é usada até hoje para premiar no campeonato Mr.Olympia. A estatueta foi idealizada pelo escultor William Pomeroy em 1891. O segundo colocado recebeu a mesma estatueta em prata e o terceiro em bronze. Além da estatueta, o vencedor ganhou o equivalente hoje a cinco mil dólares.

A CULTURA FÍSICA COMO PREVENÇÃO

Sandow continuou a trabalhar para o aperfeiçoamento do corpo. Ele viajou para lugares exóticos do mundo todo, sempre pregando o evangelho de uma saúde melhor e musculação. África do Sul, Índia, Japão, Austrália, Nova Zelândia todos o viram em um momento ou outro. Em 1911 Sandow foi nomeado instrutor especial na cultura física para o rei da Inglaterra - George V, indicando que suas idéias tinham o reconhecimento real.


Rei George V

Com o tempo Sandow se tornou mais interessado no lado preventivo da cultura física e foi um dos primeiros defensores de educação física obrigatória nas escolas públicas, pois sentiu que uma criança fraca ou doente não podia aprender corretamente. Ele também desenvolveu exercícios para as mulheres grávidas reduzirem a dor do parto, e percebeu que os empregadores deviam oferecer exercícios físicos diários para seus trabalhadores, assim como o direito a sanitários e mais segurança nos locais de trabalho.


Sandow foi casado com Blanche Brooks, com quem teve duas filhas, Helen e Lorraine. Morreu em Londres no dia 14 de Outubro de 1925, aos 58 anos. Embora ele fosse saudado como um benfeitor, Sandow era um mulherengo notório, e isso gerou um atrito irreconciliável com a sua família. Ele foi enterrado em uma cova anônima no cemitério de Putney Vale, em Londres, a pedido de sua esposa. Mas não era fácil esconder o seu legado.


O mato desgrenhado permaneceu sobre o seu túmulo até poucos anos atrás. Em 2002, uma lápide de mármore preto foi adicionada ao túmulo de Sandow pelo seu admirador e autor Thomas Manly. A inscrição (em letras douradas) trazia as seguintes palavras: "The Great Eugen Sandow - 1867-1925 - The Father of Bodybuilding" (O Grande Eugen Sandow - 1867-1925 - O Pai do Fisiculturismo).


Em 2008, o túmulo foi comprado por Chris Davies, bisneto de Sandow. A lápide de Manly foi substituída para o aniversário do nascimento de Eugen Sandow naquele ano e um novo monumento foi colocado em seu lugar - um monolito de arenito rosa com uma tonelada e meia. A pedra, com uma simples inscrição "SANDOW" (escrita na vertical), é uma referência aos antigos monumentos funerários gregos conhecidos por ‘estele’.


Sandow fez uma forte amizade com o Rei George V, assim como com Thomas Edison, Sir Arthur Conan Doyle e com o pisnista clássico Sieveking Martinus. Ele foi retratado pelo ator Nat Pendleton no filme vencedor do Oscar “The Great Ziegfeld”, de 1936.
Hoje, Eugen Sandow é mais reconhecível para os fãs dos esportes modernos, porque sua estátua é conferida aos vencedores do concurso “Mr. Olympia” - a maior competição profissional de fisiculturismo do mundo, patrocinado pela Federação Internacional de Bodybuilders, desde 1977. É um link de conexão entre o presente e o passado glorioso, e um monumento a este grande pioneiro do fisiculturismo. Esta estátua é conhecida simplesmente como "The Sandow" (O Sandow).